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Blog de Clovis


Dia do Professor

 Você chegará logo mais à escola e - seu eu o conheço bem - gastará um tempo no pátio, debruçando o seu olhar sobre aquelas crianças. Nenhuma delas é sua vizinha, ou brinca com seus filhos, ou já sabe que é você o novo professor, enfiado nesse jaleco azul claro.

Essas percepções não se aprendem na universidade, porque a Vida corre solta mesmo é nos pátios escolares, nas salas de aula, na hora da merenda... Portanto, para aprender a ser um professor será preciso sentir esse pulsar. Será preciso ser humano.

Na classe, que será somente sua naquele momento da aula, você pegará o giz branco em sua mão, consultará inseguro as suas fichas sobre a mesa, olhará mais uma vez os alunos inquietos nas carteiras - humildes, vindo de famílias de solidez diversas - e escreverá no quadro negro.

Em momento algum, toda a sua argúcia lhe proverá com qualquer certeza de que a sua mensagem foi recebida ou chegou ao destino naquelas mentes infantis. Será assim ao longo do ano: você disparará setas certeiras, mas não saberá se atingiram o alvo.

Imagine de quantas distrações se compõem aquelas 'cabecinhas de vento' sentadas a sua frente! Algumas crianças vieram para a escola sem almoço, outras vieram contra a própria vontade e outras, ainda, chegaram com a promessa de que na volta iriam nadar no riacho.

Talvez, o que seus alunos querem não está no livro grosso onde você estudou, e sabe de cor, e que é o seu porto seguro nessa maré educacional brasileira. Arrisco dizer que esses meninos e meninas querem, mesmo, é brincar de ser criança. Antes que sejam empurrados precipício a baixo.

No intervalo entre as aulas, você será posto à prova na Sala de Professores. É ali que se reúnem os deuses desse Olimpo escolar, crentes de que estão construindo um mundo. Seus colegas, profissionais que caminham diariamente sobre uma corda bamba, já terão construído para si uma fortaleza que impeça a entrada da 'artilharia pesada' trazida pelos alunos mais velhos, os veteranos.

E é de dentro desses muros que muitos mestres decidem qual será o melhor meio de entrar e sair ilesos das salas de aula. Eles irão propor a você as suas próprias descobertas... Essa será a maior prova pela qual deverá passar, ouvindo o que eles têm a dizer e ficar ponderando, ponderando.

Se você foi feito do material que eu suponho, correrá o risco de gastar o seu tempo de merenda entre os seus alunos, no pátio, comendo lanche com eles e ouvindo as suas prosas. É aprendizado certo! A indisposição obtida junto aos seus colegas professores você negocia mais tarde. Agora, é hora de aprender a ser.

Haverá datas cívicas, quando você será convocado a comparecer na escola. É feriado, mas será preciso acordar no horário de semana e seguir para lá. Sem o seu jaleco azul, é possível que você se torne absolutamente irreconhecível!

Por um passe de mágica, você se torna homem, não mais mestre. Sem a sua marca registrada cobrindo o corpo, os olhares de algumas alunas mudarão de aspecto. As garotas se tornarão lânguidas, suas vozes se amaciarão e você se divertirá percebendo isso tudo.

O altar da pátria, humildemente construído no canto esquerdo do pátio, resume em buquês de flores meio murchas e bandeiras um tanto amarfanhadas, a situação que cabe a você consertar com a sua jovem motivação e o seu seguro empenho de fazer o melhor. Sentimentos que devem despertar vivos em cada manhã.

Quando o hino nacional sair estridente de uma pequena caixa de som, e os pelos do seu braço se arrepiarem com aqueles toques marciais, está selada a certeza de que você foi escolhido por aquela escola e por aquelas crianças para desempenhar uma missão.

É por isso, meu filho, que também escolhi esse caminho de pedras pelo qual trilhei tantos anos. Eu também fui escolhido, não há como escapar. Quando me assustei no momento em que você decidiu repetir o meu feito, tornando-se professor, pedi aos céus que o fizesse passar por quase tudo o que passei. Daqui a algum tempo, teremos muitas histórias para trocar.



Escrito por clovisblog às 17h52
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Um tempo de festivais de música

Não existe emoção mais intensa, angustiante e deliciosa do que estar nos bastidores de um festival de música, se você ainda é um adolescente na década de 1970. Olhar pela fresta da cortina o público ruidoso, o palco com todos aqueles instrumentos, os músicos fazendo expressões de neutralidade esperando por sua entrada com a música na ponta da língua...

Graças ao fantástico empenho da professora Glorinha Aguiar, muitos alunos do Instituto de Educação participaram dos festivais de música que ela promovia, um esforço extremo daquela mulher. Sabe-se lá quantas batalhas ela travou para promover aqueles encontros na sede do Palmeiras, na Av. Dona Gertrudes, ou no palco do Salão Diocesano.

O resultado em nossas almas não tem como ser mensurado, é impressão indelével, é para o resto da vida.

Naquele tempo não tínhamos essas atrações eletrônicas fabulosas de hoje, então cantar e se expor humildemente num palco de cidade do interior era simplemente o máximo! Houve um desses festivais que coincidiu em data com o desfile do dia 24 de junho, aniversário da cidade. Ah, muitos de nós nem trocou de roupa: subimos ao palco com aquele uniforme branco mesmo, tênis, meias, calça e camiseta impecáveis.

Se fazíamos sucesso, você pergunta? Parece que sim, porque em nossa escola éramos olhados de modo diferente, como se fôssemos especiais. Não éramos, a bem da verdade. Nossa voz desafinava, nossa insegurança ficava pública e a criança que ainda sobrava em nós esperava que as pessoas a nossa volta nos admirassem.

Nós é que nos sentíamos especiais ali nos bastidores, porque estávamos num local exclusivo onde somente os cantores podiam ir. E podíamos espiar as pessoas na plateia e podíamos conversar com os professores de igual para igual, imagine! Não existe emoção mais intensa, angustiante e deliciosa do que escapar da mesmice e abrir as cortinas dos palcos da Vida.



Escrito por clovisblog às 17h29
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